Propostas curriculares no ensino médio – na literatura

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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ – UECE CENTRO DE HUMANIDADES CURSO DE E RAS- PORTUGUÊS LITERATURA to view nut*ge PROPOSTAS CURRIC LITERATURA Luzia Fernandes Feitosa APRESENTAÇÃO Este texto tem a pretensão de mostrar um pouco da incoerência que envolve o ensino da Literatura na atualidade. Para se chegar a esse entendimento será preclso conhecer o caminho percorrido pela Literatura ao longo dos séculos e o papel desempenhado pela mesma nas sociedades.

Faz-se necessário também, uma reflexão acerca desse ensino da Literatura na atualidade, dentro das escolas e segundo diretrizes que norteiam esse ensino no ars: os Parâmetros Curriculares Nacionais. O resultado desse estudo trará uma constatação óbvia, porém sutil, dissimulada: estará o ensino da literatura sendo dissolvido em sala de aula para melhorar a “leitura” dos alunos? Ou é conveniente que a literatura não seja enslnada como deveria? Segundo Paulo Freire “podemos tratar das idéias, dos fatos e problemas, com rigor, mas sempre num estilo leve, próximo ao dos dançarinos, um estilo amistoso”.

Sejam bem-vindos! Então seria o objeto da História da Literatura, “a própria mudança nos critérios e concepções sobre o que é literatura”. (FN: Jobim, 989, p. 128). Mas, o que é Literatura? Segundo o Dicionário Aurélio (Ferreira, 1975), LITERATURA [Do latim Litteratura] vem da forma latina littera, que significa letra (sinal gráfico). Nasce dai a relação entre literatura e língua escrita, erudição e conhecimentos acumulados e registrados pelo homem. Esse conceito vem modificando-se com o tempo, quando não mais atende ao que se pode entender por literatura.

O conceito de literatura mudou em diferentes momentos da história. No momento atual, a literatura está sendo questionada em clnco aspectos Ilgados à História da Literatura: a recepção, a escrição, a origem, a tradição e o cânon literário; encontrando-se ameaçada em seus próprios fundamentos. A recepção é a construção da imagem da obra que é feita pelo leitor na sua época, ou seja, os autores e obras não são propriedade absoluta da época em que foram produzidos.

Estarão eles sempre veiculados a interpretação e reinterpretação de leitores futuros que atribuirão os significados ou sentidos que lhes aprouver. A recepção está diretamente ligada à forma como a obra é recebida pelo Ieltor e que tipo de leitor poderá ler e compreender a obra literária. A descrição é uma tarefa do historiador em literatura que classifica as obras numa sequência cronológica, tentando descrever o antecedente a partir do conseqüente numa tentativa de representar o que vem antes a partir da imagem do que vem depois.

A descrição procura justificar a ordem em que aparecem as escolas literárias e o porquê dessa as escolas literárias e o porquê dessa ordem. A origem cuida da evolução da literatura brasileira, não como representação tecnológica ou Ilmltadora da nossa origem literária, mas como algo questionador. Por que afirmamos que a nossa iteratura foi copiada dos portugueses se nem sabemos se o estilo era verdadeiramente português? Outro problema relacionado à origem é determinar qual é a obra que inicia determinado estilo de época.

Quais os valores implícitos naquelas obras que a levaram ao patamar de marco inicial de escola literária? A tradição consiste no “jogo da inovação e da sedimentação”. procedimentos artísticos inovadores passam a ser adotados por um grande número de escritores, tornando-se automáticos e perdendo o caráter de novidade para ser uma mera repetição. Surgiria então, a necessidade da “desautomatizaçào” e criação e um estilo novo, não aleatório, mas selecionado em diferentes elementos de estilo anterior.

A tradição é sempre absorver o que é inovador e depois que cair no senso comum, ou seja, sedimentar, outro novo estilo surge para inovar. E por fim, o cânon literário que significa conjunto de obras – clássicos, as obras-primas dos grandes mestres — um patrimônio da humanidade a ser preservado para as futuras gerações. Sendo a literatura ideológica, ligada à questão do poder, seria possível desvinculá-la de suas circunstâncias históricas sem levar em conta os elementos externos, uma vez que os defensores do ânon acreditam que as obras literárias possuem qualidades intrínsecas? – Será que cada escritor “cria” seus precursores? literárias possuem qualidades intrínsecas? 2- Podemos questionar, pelo estudo daquilo que foi desvalorizado, esquecido ou rejeito pela tradição, afim de que se tornem mais claras as convenções, normas e valores que a fundamentam. O que de fato está por trás do cânon literário? Quais valores nortearam essas escolhas? Por que outras obras ficaram de fora? Todos esses aspectos definem ou delimitam objetivamente o que é literatura, mas as normas estéticas vigentes, em m determinado contexto, podem fornecer uma certa representação.

A literatura como instituição e matéria de ensino, alcança o auge do prestígio no início do século XIX até meados do séc XX. Esse prestigio teve origem a partir de uma concepção de cultura que valoriza a tradição escrita. Como vimos anteriormente essa tradição estava calcada num cânone, eleito por determinados valores e usada para “originar” programas e livros escolares. “O ensino, enquanto instituição tem por objetivo manter os fundamentos da sociedade, e não questioná-las profundamente.

Dessa forma, a literatura coloca em xeque seus próprios undamentos como prática Leyla Perrone, 2002, p. 346). As vanguardas do inicio do século promoveram a separação entre prática da literatura e seu ensino. O ensino da literatura foi ameaçado pela prática dos escritores modernos. Se ensinar é repetir, o ensino da modernidade não era ensinável. E a literatura tem sido relegada a um lugar cada vez mais “desimportante”. O avanço tecnológico, meio de comunicação, consumo caótico de informações, desestabilizou a leitura do texto literário. omunicação, consumo caótico de informações, desestabilizou a leitura do texto literário. Os efeitos dessa situação no ensino são evastadoras, pois não há como conciliar as antigas análises de texto com os números inventados pela indústria cultural. Avaliadas a partir de posição ideológicas, o que foi devastador no ensino de literatura, as obras literárias são hostilizadas como meros pretextos, de forma indireta para o que se quer atingir a partir dela. Isso “igualou” as obras literárias a quaisquer outros textos.

A literatura foi reduzida a uma espécie de recurso dos planejamentos didáticos que leva os alunos à descoberta do prazer de ler. Mas a leitura da literatura é muito mais do que simplesmente despertar o gosto pela leitura. ? proporcionar ao aluno pré-requisitos básicos para o entendimento de quaisquer leituras que a precedem, ler por ler levará os nossos alunos a um abismo cultural ou na incapacidade de opinar sobre o que lê, vê ou ouve. Os jovens precisam de cultura para contestar e renovar.

Felizmente os professores de literatura ainda existem e cabe a eles mostrar aos alunos o caminho da literatura. A literatura deve ser ensinada porque atua como organizadora da mente e depuradora da sensibilidade, num mundo de valores conturbados. No entanto, se o professor não acredlta no seu objeto do ensino é melhor que escolha outra profissão ou o nsino literário não dará frutos e a cultura, como um todo, ficará mais empobrecida. UMA LEITURA CRí ICA SOBRE A ABORDAGEM DA LITERATURA NOS PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS.

Novas e importantes conquistas foram conseguldas a partlr da implantação da LDB 9394 Novas e importantes conquistas foram conseguidas a partir da implantação da LDB 9394/96 que trouxe a reforma curricular do Ensino Médio dentre outras propostas para uma efetiva melhora do ensino no pais. É possível encontrar também textos que darão a fundamentação teórica de cada área, orientando para seleção de conteudos, étodos e competências que deverão ser desenvolvidas em cada disciplina ao longo do processo educativo.

As disciplinas Língua, Literatura e Redação passaram a fazer parte de um único contexto conhecido no PCN como Área de Conhecimento – Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, pois se pensou ser a linguagem de natureza transdisciplinar, reguladora do melo social capaz de permitlr o desenvolvmento das capacidades cognitivas do aluno. É certo que se deve preparar o aluno para situações práticas e cotidianas, para atuar como ser crítico, cidadão e comprometido com a transformação do meio em que vive. Mas que tipo de idadão o PCN visa preparar, o ideal, o real ou nenhum dos dois?

O aluno ideal é aquele que “deve ser considerado como produtor de textos, aquele que pode ser entendido pelos textos que produz e que constituem como ser humano… O homem visto como um texto que p. 139). O aluno real é aquele que tem “conhecimento literário especTico e mlnucioso, que enfatiza a memorização de informações ou, ao contrário, configura-se em um conhecimento mais amplo, que avalia a capacidade de leitura, entendimento e análise de textos literários demonstrada”. (Fuvest, 1982, p. 183). Então, percebendo a incoerência entre PCN (teoria) e Processo

Seletivo. Vestibular (prática) é possível a incoerência entre PCN (teoria) e Processo Seletivo. Vestibular (prática) é possível ver o abismo entre ambos e o que é pior vemos um sistema desconectado, na qual os professores não sabem o que seguir ou simplesmente tentam engendrar o Ensino Médio e o resultado final, são alunos que não lêem, não compreendem e conseqüentemente não fazem literatura. . nao há mudanças no Ensino Médio em decorrência da postura conservadora dos vestibulares… ” (Zilberman, p. 69).

AÍ pergunta-se: Para quê vestibular se o objetivo é formar leitores e produtores de textos? Ou então: Para que formar leitores e produtores de textos se só precisamos que decorem datas, autores e obras para passar no vestibular? Confuso não? E quem sobra nlsso tudo? A literatura que perde seu papel principal no processo da formação de consciência, e valores num mundo onde eles se apresentam flutuantes. E, claro, o aluno que perde a liberdade de crítica do real, do uso da linguagem e do imaginário dentro da leitura da literatura.

O trabalho do professor centra-se no objetivo de desenvolvimento e sistematização da linguagem interiorizada pelo aluno, incentivando a verbalização da mesma e o domínio de utros utilizados em diferentes esferas sociais. “Os conteúdos tradicionais de ensino de língua, ou seja, nomenclatura gramatical e história da literatura, são deslocadas para um segundo plano. O estudo da gramática passa a ser uma estratégica para compreensão interpretação / produção de textos e a literatura integra-se à área de leitura”. (grifos PCN, p.

Como relegar a história da literatura a um segundo plano? Para inserir o aluno num contexto social a PAGF inserir o aluno num contexto social através da lingua se faz mister que ele consolide sua bagagem cultural, para que entenda e pine acerca do que lê. Se o texto literário for utilizado apenas como pretexto para a leitura, ocorrerá uma descultura pois, o resultado dessa leitura será inócuo. Seguindo o princípio moraniano “tecido que junta o todo” (In: Morin; 1999) na teoria da complexidade, suponhamos que as disciplinas são retalhos e as áreas de conhecimentos formam uma colcha.

Para que a colcha exista, cada retalho está desempenhando a sua função, o seu papel na constituição do todo. A falta de um retalho ofuscará a beleza da colcha e a mesma não atingirá o seu maior objetivo que é cobnr a cama. Não se pode esquecer que assim como o retalho da colcha, cada disciplina tem seu objetivo dentro do todo criado, que são as áreas de conhecimento, e se alguma delas faltar, o objetivo maior não será alcançado: o de formar o cidadão critico e atuante.

Sabe-se que o aluno tem habilidades e competências a serem desenvolvidas e que muitos conteúdos, talvez, sejam de fato desnecessários para a sua compreensão de mundo. Mas a literatura em si não é ensinável, o que precisa ser ensinada é a leitura de literatura para que seja alargada a de mundo desses alunos. Não ler por ler, pois literatura é muito mais do que sso, mas ler para adquirir cultura. Se não for assim, os trabalhos desenvolvidos por tantos autores, ao longo de séculos, cairão simplesmente no vazio, formando decodificadores de textos mas nunca verdadeiros leitores das obras literárias. Recuperar, decodificadores de textos mas nunca verdadeiros leitores das obras literárias. “Recuperar, pelo estudo do texto literário, as formas instituídas de construção do imaginário coletivo, o patrimônio representativo da cultura e as classificações preservadas e divulgadas, no eixo temporal e p. 145). No afã de acender uma vela ara Deus e outra para o diabo, professores e alunos do Ensino Médio não conseguem atingir o objetivo primordial da educação: Aprender para transformar.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais representam um avanço no regate dessa aprendizagem, pois, selecionam o que dizem ser fundamental para a formação dos alunos. Porém, quando sai do papel e vai para as salas de aula esbarra em uma série de obstáculos que, muitas vezes, tornam- se intransponíveis. Por isso, tudo que ficou de fora do PCN, precisa ser revisto, estudado e recolocado no seu devido lugar como é o caso da nossa Literatura.

PERSPECTIVA PARA UM NOVO ENSINO DE LITERATURA por tudo que foi visto até agora acerca do atual ensino de Literatura e da proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais pode-se perceber a ineficácia do ensino no tocante ao seu objetivo mais nobre que é inserir o jovem, através dos estudos, na sociedade para que possa atuar nela ou contra ela, melhorando sua condição de vida. Com isso, pode-se chegar à conclusão que é muito fácil culpar os professores ou até mesmo os alunos pelo fracasso do nosso ensino de uma forma geral. Quanto ao ensino de literatura, que nada tem de ingênuo ou decoreb

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